Rio Grande do Sul avança em ranking internacional e consolida novo estágio na política estadual de gestão climática
Ranking do CDP reconhece a evolução do Estado, com fortalecimento da governança, planejamento e ações efetivas na área climática
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O Rio Grande do Sul avançou de forma significativa na agenda climática ao alcançar a nota B na avaliação do Carbon Disclosure Project (CDP), uma das principais plataformas internacionais de monitoramento da gestão climática. O resultado representa um salto expressivo em relação a 2023, quando o Estado havia recebido nota D, e indica a transição de um estágio inicial de divulgação de dados para um nível de gestão estruturada, com políticas, metas e ações efetivas.
A coordenação das ações é realizada pela Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema), por meio da Assessoria do Clima, responsável pela consolidação de dados, elaboração de inventários, definição de metas e ampliação da transparência das informações climáticas.
A nota B correspondente ao nível de “Gestão” e indica que o Estado já implementa políticas de mitigação e adaptação às mudanças climáticas, realiza análises de risco e estrutura sua governança de forma integrada, com foco no aumento da resiliência dos territórios.
O Carbon Disclosure Project é uma organização internacional sem fins lucrativos que avalia a maturidade da gestão climática de governos subnacionais. A plataforma mede como estados, regiões e cidades compreendem, monitoram e gerenciam seus impactos climáticos, com base em uma metodologia pública, padronizada e comparável globalmente. Os dados do CDP são amplamente utilizados por bancos de desenvolvimento, fundos internacionais, organismos multilaterais e redes globais de cooperação climática.
Para a secretária da Sema, Marjorie Kauffmann, o resultado reflete o fortalecimento da governança climática do Estado. “Esse avanço se concretiza em dados e ações efetivas, como o inventário de emissões divulgado recentemente que demonstra uma redução significativa das emissões no Rio Grande do Sul, além da implementação de planos e metas estruturados, parcerias internacionais, e uma maior integração das políticas climáticas entre os órgãos estaduais”, destacou.
Consolidação da política climática no RS
O avanço para a nota B consolida um novo estágio da política climática estadual, marcado pelo fortalecimento do planejamento, pela gestão baseada em evidências e pela implementação de ações estruturadas.
Entre os fatores que contribuíram para a melhora da pontuação estão a consolidação da Assessoria do Clima da Sema, a publicação do Inventário Estadual de Gases de Efeito Estufa e de diagnósticos setoriais. No campo do planejamento, destaca-se o Roadmap Climático, uma das estratégias do Proclima 2050, que mapeou vulnerabilidades, demandas e prioridades climáticas dos municípios gaúchos.
Outro avanço relevante são os Roteiros de Descarbonização das Cadeias Produtivas, elaborados em parceria com o setor produtivo. Os estudos analisam cinco cadeias estratégicas do Estado: soja, arroz, pecuária bovina de corte e leite, silvicultura e petroquímica, e projetam cenários de redução das emissões de gases de efeito estufa até 2050. As modelagens indicam que a cadeia da soja pode atingir a neutralidade de emissões até 2045, enquanto a pecuária e o arroz podem reduzir, respectivamente, 72,8% e 76,1% de suas emissões até meados do século.
“O resultado evidencia a consolidação de uma política climática madura, baseada em dados, planejamento e ações concretas, com reconhecimento internacional. Avançar de D para B demonstra que o Rio Grande do Sul não apenas reporta informações, mas já executa políticas climáticas consistentes, fortalecendo a credibilidade institucional e ampliando oportunidades de cooperação e captação de recursos”, afirmou Daniela de Lara, coordenadora da Assessoria do Clima da Sema.
Trajetória no ranking
O ciclo de avaliações do CDP teve início em 2022, com a adesão do Rio Grande do Sul ao Acordo de Cooperação. Em 2023, o Estado recebeu nota D (nível “Divulgação”), sendo classificado como capaz de identificar impactos climáticos e reconhecer lacunas de informação. Em 2024, avançou para a nota C (nível “Conscientização”), demonstrando capacidade de compreender, medir e reportar os efeitos das mudanças climáticas.
Já em 2025, alcançou a nota B (nível “Gestão”), mantida em 2026. Com a permanência nesse nível, a Sema já trabalha na qualificação das informações e no aprimoramento das políticas para atingir a nota A (nível “Liderança”), que reconhece governos que adotam práticas avançadas, alinhadas à ciência climática e a padrões internacionais.
Importância estratégica do resultado
Do ponto de vista estratégico, a avaliação positiva fortalece a imagem internacional do Estado e amplia o acesso a financiamento climático e cooperação técnica. Os dados são utilizados por bancos multilaterais, fundos internacionais de financiamento climático, agências de cooperação e organismos internacionais para avaliar transparência, capacidade de gestão e nível de preparo dos governos frente aos riscos climáticos.
Além disso, o avanço reforça a atuação do RS em redes globais como a Under2 Coalition, o ICLEI – Governos Locais pela Sustentabilidade e a Regions4, que impulsiona ações em prol das mudanças climáticas, da biodiversidade e do desenvolvimento sustentável, consolidando o Estado como referência subnacional.
Texto: Tamires Tuliszewski – Ascom Sema