Governo do Estado lança projeto para mensurar emissões de gases de efeito estufa do CAFF
Inventário inédito irá medir as emissões por servidor e por secretaria, com apoio de ferramenta digital
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O Rio Grande do Sul deu início a um novo projeto voltado à mensuração do perfil de emissões de gases de efeito estufa (GEE) do Centro Administrativo Fernando Ferrari (CAFF), a principal sede administrativa do governo, em Porto Alegre. A iniciativa tem como objetivo realizar, de forma científica e sistemática, o primeiro Inventário de Emissões de GEE do complexo, contribuindo para o fortalecimento da gestão ambiental e das políticas climáticas.
O projeto é coordenado Secretaria do Meio Ambiente Infraestrutura (Sema), junto com a Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia (Sict) e Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (Uergs), com apoio da Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (SPGG).
“Nossa intenção é que o Rio Grande do Sul seja referência na agenda climática. O inventário do CAFF dialoga com os avanços já alcançados pelo Estado na redução das emissões e se articula a um conjunto consistente de ações de mitigação e adaptação conduzidas no âmbito do ProClima RS. Seguimos construindo políticas públicas baseada em dados, ciência e transparência”, destaca a secretária do Meio Ambiente e Infraestrutura, Marjorie Kauffmann.
Para a secretária de Inovação, Ciência e Tecnologia, Lisiane Lemos, mensurar as emissões do CAFF é transformar dados em ação concreta. “Esse projeto une tecnologia, ciência e gestão pública para apoiar decisões mais sustentáveis e fortalecer a capacidade do Estado de liderar a agenda climática pelo exemplo, com inovação e transparência. Ao desenvolver ferramentas que permitem acompanhar as emissões de forma detalhada, também aproximamos os servidores desse compromisso coletivo com a descarbonização e a construção de um futuro mais resiliente”, reforça.
A secretária da SPGG, Danielle Calazans, acredita que a colaboração para o inventário reforça o compromisso com uma gestão baseada em evidências, integração entre secretarias e uso de dados confiáveis para orientar decisões. “O CAFF é um espaço estratégico do Governo, e mensurar suas emissões é um passo importante para incorporar a sustentabilidade de forma estruturada na administração pública”, finaliza.
A metodologia adotada segue o GHG Protocol, padrão internacional para inventários de emissões, contemplando escopos que abrangem desde emissões diretas, como o uso de combustíveis da frota e sistemas de climatização, até emissões indiretas relacionadas ao consumo de energia elétrica, geração de resíduos, efluentes e à mobilidade diária dos servidores no trajeto casa–trabalho.
Nesse contexto, o deslocamento dos trabalhadores até o CAFF é considerado um eixo estratégico do estudo. Como parte das etapas do projeto, em junho será aplicado um questionário individual aos servidores, com o objetivo de mapear o perfil de emissões associadas ao deslocamento.
“A construção do inventário de emissões é um processo gradual, que começa com desafios na coleta e na organização dos dados, mas que evolui a cada ciclo. A partir deste ano, a proposta é divulgar anualmente os resultados consolidados do ano anterior, a cada ano com informações mais qualificadas embasando ações para diminuir as emissões das atividades do CAFF. Futuramente essa divulgação poderá ser mais frequente aumentando a transparência e a agilidade das propostas de melhorias”, afirma Madalena Heinen, especialista em infraestrutura da Sict.
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Os dados coletados serão consolidados e analisados a partir de julho, permitindo a mensuração das emissões e a construção de diagnósticos qualificados. Um dos principais produtos da iniciativa será a disponibilização de um software de acompanhamento, que permitirá visualizar as emissões por pessoa, por secretaria e de forma consolidada, ampliando a transparência e a capacidade de planejamento.
A mestranda da Uergs, Renata Santos, responsável pelo desenvolvimento do software, explica que o dado ambiental só gera mudança quando é compreendido: “pensando nisso estamos desenvolvendo uma funcionalidade que transforma planilhas complexas de emissões de gases de efeito estufa do CAFF em painéis visuais e intuitivos, permitindo que cerca de seis mil servidores visualizem o impacto ambiental de suas rotinas e usem a transparência digital para decisões mais sustentáveis.”
Além do sistema, o projeto resultará na elaboração de um relatório técnico de inventário de emissões que identificará as principais fontes emissoras do CAFF. A partir dessas informações, será possível propor melhorias, orientar decisões e qualificar investimentos para a descarbonização das atividades do executivo, reforçando uma governança pública baseada em evidências e dados verificáveis.
Texto: Joara Pippi – Ascom Sema