Governo do Estado do Rio Grande do Sul
Secretaria do

Meio Ambiente e Infraestrutura

Início do conteúdo

Reconstrução Sustentável: Sema transforma escombros em infraestrutura no Vale do Taquari

Projeto pioneiro reaproveita resíduos das enchentes em Cruzeiro do Sul, melhora acessos rurais e amplia a segurança da população

Publicação:

Quatro imagens mostrando obras de terraplenagem: um caminhão sobre solo avermelhado, uma máquina despejando pedras, um trator nivelador trabalhando e uma estrada de terra já alisada cercada por vegetação.
Sema transforma escombros em infraestrutura no Vale do Taquari - Foto: Igor de Almeida

O Governo do Estado, por meio da Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema), está conduzindo uma iniciativa inédita que une sustentabilidade, mineração, saneamento e resiliência na região do Vale do Taquari. O projeto consiste na britagem do material das casas destruídas pela enchente no bairro Passo de Estrela, em Cruzeiro do Sul, para reaproveitamento na recuperação de estradas rurais e infraestrutura local. 

Cruzeiro do Sul foi um dos municípios mais atingidos pelas cheias. O bairro Passo de Estrela foi totalmente devastado. A área, sem condições de habitação, precisou ser limpa, gerando um grande volume de resíduos de difícil manejo, misturados à lama e sedimentos.

A partir desse cenário, surgiu a proposta da Sema: reaproveitar os escombros por meio de britagem, garantindo a destinação ambiental adequada e utilidade prática. 

A secretária da Sema, Marjorie Kauffmann, destaca que a ação simboliza uma nova forma de reconstrução. “O governo do Estado faz um balanço positivo de um movimento diferente dentro dos atos de reconstrução. O material dos escombros foi britado e reutilizado pela prefeitura municipal, com financiamento do Funrigs. É uma ação que une sustentabilidade, mineração, saneamento e resiliência, alinhada ao Plano Rio Grande, que busca a reconstrução sustentável.”, reforça Marjorie. 

Execução do projeto

Com recursos do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs), foi contratado um britador móvel de grande porte para processar o material. O trabalho começou em maio e será concluído até o final de outubro, resultando em até o momento 8.862 m³ de resíduos britados, o equivalente a 10.634 toneladas.

Apesar das dificuldades técnicas, pela mistura com sedimentos da enchente, o material foi reaproveitado em diferentes frentes, principalmente na recuperação de estradas rurais, elevando cotas de ruas e garantindo acesso a pequenas propriedades e empresas.

O prefeito de Cruzeiro do Sul, Cesar Leandro Marmitt (Dingola), destacou o impacto da ação. “Só temos a agradecer ao Governo do Estado e à Sema por esse trabalho. Muitas vezes, fala-se em reconstrução pensando apenas nas casas, mas havia o desafio do resíduo. Esse material reciclado fortaleceu nossos acessos agrícolas e industriais, além de elevar ruas em áreas críticas. Em planos de contingência,  em algumas áreas específicas, conseguimos ganhar até cinco horas a mais para deslocamento em caso de nova cheia.”, reforça. 

Resultados práticos

A iniciativa gerou benefícios diretos para a mobilidade, a economia e o meio ambiente na região. A elevação de ruas em até 1,5 metro aumentou o tempo de resposta em situações de cheia, garantindo mais segurança para a população. Já o uso do material em estradas facilitou o escoamento da produção agrícola e o acesso de indústrias. Além disso, os resíduos que seriam descartados ganharam destinação sustentável, reduzindo impactos ambientais.

Para Alexandre Schneider, gerente de vendas da Arla Cooperativa, uma das empresas que utilizou o material da britagem na obra do pátio da nova unidade de recebimento de grãos em Cruzeiro do Sul, o resíduo foi fundamental para garantir a firmeza da base da estrutura, já que o local receberá caminhões pesados diariamente. Já o colaborador Paulo Vicente destacou que, além de contribuir para o meio ambiente, cada pedaço de tijolo ou piso carrega a história das famílias atingidas, o que dá ainda mais significado ao uso desse material.

Morador de Cruzeiro do Sul há 38 anos, o torneiro mecânico Anderson também relatou melhorias com a elevação das ruas: “A rua ganhou 1,5 metro de altura, o que já evita entupimento de bueiros e nos dá mais tempo para evacuar em caso de cheia. Foi um benefício enorme para a comunidade”, disse o morador. 

O empresário Fabrício Luiz Muller, proprietário da Agrotech, empresa voltada a soluções para o agronegócio, ressaltou os impactos positivos para a instalação da nova sede na região. “Estamos transferindo nossa empresa para Cruzeiro do Sul, fora da zona de risco. A prefeitura destinou o material da britagem para nossa obra e isso foi fundamental para a terraplanagem e a base do pátio. O material é firme, de excelente qualidade para suportar máquinas e caminhões.”, afirma.

Expansão do projeto

O bairro Passo de Estrela, em Cruzeiro do Sul, foi devastado pelas cheias e deixou de oferecer condições de moradia. Por questões de segurança, o Governo do Estado identificou a necessidade de realocar a população e promover a limpeza completa da área. Com o terreno desocupado, a proposta é transformar o espaço em um parque com área verde. Foi a partir desse diagnóstico que surgiu a iniciativa de britar os escombros, dando um novo destino aos resíduos. O resultado positivo alcançado em Cruzeiro do Sul servirá de modelo e já será replicado em Arroio do Meio, no bairro Navegantes, também duramente atingido pelas enchentes.

Para a secretária Marjorie, trata-se de um modelo pioneiro. “Essa experiência mostrou que é possível transformar um passivo ambiental em solução para infraestrutura, ajudando a reconstruir de forma mais sustentável e consciente.”, destaca.


Texto: Tamires Tuliszewski - Ascom Sema

Sema - Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura